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A Família – visão espírita

 

Família sempre é uma questão que envolvem muitas singularidades.

  • Para uns a família é berço de alegrias incontáveis e de porto seguro ante as tormentas da vida,
  •    para outros é prova infindável de angústias e privações.
  •   Mas afinal, espiritualmente, como é visto esse tipo de diferenciação entre famílias?
  •   porque numas aparenta perfeita harmonia e noutras o caos na terra ?

Bem para explicarmos essas diferenças precisamos primeiro analisar o homem social. No que diz respeito o espiritismo segundo a pergunta seguinte retirada do Livro dos espíritos:

 

766. A vida social está em a Natureza?
“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”

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Portanto é uma lei natural de Deus o convívio em sociedade para que busquemos em conjunto de nossas aptidões e virtudes o progresso moral e intelectual. Com isso o homem se organiza em núcleos familiares onde espíritos simpáticos se reúnem a fim de auxiliar-se mutuamente na evolução durante a vida corpórea. Porém, em casos de familiares ou famílias desregradas ou desequilibradas poder-se-á notar-se uma união expiatória, onde dois espíritos com divergências se unem pelo laço do sangue a fim de dar cabo às diferenças inferiores de sentimentos menos elevados. Por intermédio da justiça divina o inimigo de outrora pode ser seu irmão na vida atual. Estes casos normalmente se devem a situações que se repetem em muitas encarnações obrigando que uma maior proximidade entre os espíritos seja estabelecida a fim de se depurem os laços entre os espíritos.

Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências ( O Evangelho Segundo o espiritismo, Cap IV, item 13)

 

Sobre os tipos de família Kardec recebeu dos espíritos a seguinte explicação:

Há, pois, duas espécies de famílias: 

  •   as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual.
  •   Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

(O evangelho segundo o espiritismo , Cáp XIV, item 8)

Compreende-se portanto que a família espiritual seria a família cujos espíritos simpáticos se encontram – em vida ou na erraticidade – pois que os laços que os unem são os laços d’alma. Já a família carnal seriam os espíritos que por necessidade temos os laços do corpo a fim de repararmos erros pretéritos.

Nos dois casos a questão familiar, porém se mantem a mesma. A de total fraternidade. É no seio familiar que devemos buscar o primeiro movimento rumo a reforma íntima, buscando compreender uns aos outros e quem sabe após as devidas correções entre essas almas não aconteça um novo laço, desta vez de amor e de fraternidade ?

Os problemas familiares são em geral muito importantes na nossa evolução. É no núcleo familiar que encontramos pela convenção das tradições o esforço maior em nos entendermos melhor. Temos a necessidade íntima geralmente de se ter um bom convívio familiar e buscamos isso diariamente. Por isso, Deus outorga certas famílias o recebimento de um espirito revoltado ou menos evoluído, para que no seio equilibrado e de amor de uma família possa esse ser ter contato com o amor e os bons fluídos de fraternidade.

Por isso meus amigos a família para o espiritismo é o berço da civilização, onde os espíritos se unem sempre com um único fim que em todos os tipos de família é denominador comum : a Evolução moral. No livro Entre a terra e o céu do espírito André Luiz, Clarencio nos diz sobre a família:

“A família espiritual é uma constelação de Inteligências, cujos membros estão na Terra e nos Céus. Aquele que já pode ver mais um pouco auxilia a visão daquele que ainda se encontra em luta por desvencilhar-se da própria cegueira. Todos nós, por mais baixo nos revelemos na escala da evolução, possuímos, não longe de nós, alguém que nos ama a impelir-nos para a elevação. Isso podemos verificar nos círculos da matéria mais densa. Temos constantemente corações que nos devotam estima e se consagram ao nosso bem.”

Somos todos uma única família cósmica universal, onde todos somos irmãos do mesmo pai que é Deus. Ao internalizarmos isso teremos mais facilidade em compreender nosso familiar mais embrutecido e teremos resignação para buscar o entendimento com o espírito que nos foi confiado ao convívio familiar. Somos irmãos, nos amemos, pois, que Jesus Cristo já nos abençoou a eterna família do globo terrestre. Muita paz a todos!

 

Família - seus conflitos

 Até que ponto nossos conflitos familiares são tão sérias divergências que trazemos do passado? Ou será o nosso estado de ânimo o maior responsável pela percepção positiva ou negativa que possamos alimentar em relação às pessoas e às circunstâncias? 

De acordo com os postulados espíritas, o lar terrestre é o local onde os espíritos encarnados estão se encontrando para as necessárias realizações, ou se reencontrando para os inadiáveis acertos, em virtude de certos compromissos que uns assumiram perante outros no decorrer das sucessivas encarnações.

        

Torna-se compreensível, portanto, o fato de a grande maioria dos relacionamentos familiares carecerem de certa harmonia, pois cada um de seus componentes pode possuir realidades íntimas bastante específicas e, nesse ambiente, exteriorizar muito dos conflitos e necessidades que ainda carrega.

        

Todavia, aquele que se empenhe por sustentar o equilíbrio e o bom senso perante as situações difíceis e desagradáveis, oferece ao conjunto sua contribuição pacificadora. Se, por outro lado, se julgar no direito de esbravejar e de se impor ante as naturais divergências de pontos de vista e opiniões, certamente acabará por provocar uma confusão ainda maior.

        

Sendo assim, um questionamento se mostra oportuno: até que ponto os naturais contratempos da vida familiar referem-se a complicados reajustes que trazemos de vidas pretéritas? Ou, não será que esses problemas estão sendo agravados, em razão da excessiva necessidade de certas criaturas em, por exemplo, fazerem prevalecer suas vontades e pontos de vista, em superdimensionarem as dificuldades, em não compreenderem e aceitarem as pessoas pelo o que elas conseguem ser, em não saberem lidar com seus conflitos e expectativas?

        

Estudiosos do comportamento humano já constataram que todos os indivíduos, periodicamente, passam por variações de humor. Assim, quando nos sentimos em paz, até conseguimos encarar as dificuldades com bastante otimismo. E nesse “alto astral”, como se torna fácil ter apreço pelo cônjuge e filhos ou ser agradecido pela nossa família e nosso lar! 

 

Porém, quando nosso estado de ânimo se encontra em baixa, quantas são as vezes em que não queremos conversa com ninguém, em que não achamos graça em nada, em que nos aborrecemos com tudo e com todos? Muito embora amemos imensamente nossos filhos, podemos ficar incomodados com toda a atenção que eles requerem. E as imperfeições do cônjuge? Também poderão ser ressaltadas. Não será ele, então, o maior “culpado” pelos problemas domésticos? O interessante de se notar é que, nesse estado tão depressivo, a mesma vida, com idênticas circunstâncias, poderá parecer drasticamente outra, com um peso insuportável!

        

Logo, é o nosso estado de humor que mais influencia nossa percepção e a maneira de conduzir os naturais problemas do cotidiano, principalmente quando eles ocorrem em nosso lar, independentemente dos conflitos anteriores que possam existir entre alguns familiares.

        

O escritor espírita Rodolfo Calligaris, ao ressaltar a relevância da variação de humor, principalmente no relacionamento conjugal, aconselha:

 

É de toda conveniência, portanto, que os esposos aprendam a discernir esses ciclos temperamentais, no outro e em si mesmo.

No outro, para desculpar-lhes os amuos, os azedumes, os “contras”, as impertinências, etc., na certeza de que em breve isso passará, e tudo voltará às boas. Em si mesmo, para ter o cuidado de não tomar nenhuma atitude mais drástica, da qual, depois, muito terá de arrepender-se.

É preciso que cada um dos cônjuges, ao perceber o mau-humor do outro, procure amenizar a situação, evitando, a todo custo, agastar-se também, para não suceder que, duplicado, esse mau sentimento faça a casa ir pelos ares. [1]

 

O Espírito Thereza de Brito também segue semelhante linha de raciocínio e de compreensão e assim se expressa:

 

Ansiando por crescer, na convivência com os ideais enobrecidos dos Espíritos Luzeiros, aprenda a dialogar para solucionar problemas, conversando equilibradamente, para o bem geral; faça o possível para não cobrar afeição dos amores ou reclamar consideração que, talvez, você ainda não tenha feito, nem esteja fazendo nada por merecer. Dedique-se a agradecer as coisas mínimas com que seja beneficiado em casa, e a ser gentil com os entes queridos e com os auxiliares domésticos, presenteando-os com a sua alegria natural, com a sua fraternidade, sem a hipocrisia que envenena a linfa da vida.

Se é correto que no ambiente do lar você tem o território livre para que se mostre como é, para desenvolver-se, não se pode olvidar, entretanto, que não cabe aos outros suportar seus impulsos negativos ou sua desastrada invigilância, por fazerem parte de sua equipe doméstica. [2]

 

 

 

 

Relaxe.

Até certo ponto somos todos assim, um pouco de Médicos e Monstros. De certa maneira, nosso humor é o ponto de partida para nossa experiência, não seu efeito. Nosso humor determina a maneira como vemos e vivenciamos nossas vidas. Quando nos deixamos abater, a vida parece pior, muito mais difícil. Para reforçar a idéia de quão significativos seus humores são, tenha em mente como a vida parece diferente, de uma hora para outra, dependendo do seu clima.

 

Por mais que pareça simples, aprender a detectar qual o nosso estado de espírito e aprender a lidar com nossas alterações de humor pode fazer uma grande diferença na qualidade da vida e pode baixar o nível de nossa mania de defesa de modo significativo. O mais importante é aceitar o fato de que as alterações de humor são um dado da vida e entendê-las como absolutamente inevitáveis, bem como a maneira como você experimenta seu baixo-astral. Lembre-se, não é a vida que mudou subitamente para pior na última hora, apenas seu estado de espírito.

 

Reconhecer isso pode ampliar sua perspectiva. (...) Pode aprender a culpar seu humor, em vez de sua vida ou família, por seus problemas. Tenha em mente que se algo fosse realmente responsável por nossos sentimentos negativos, nos incomodaria o tempo todo. Nada, no entanto, recai nessa categoria. A verdade é que a grande maioria das coisas que nos incomodam em nossa depressão são coisas com que conseguimos lidar perfeitamente em estados mais elevados de espírito[3]

 

 

 Seja um exemplo de paz

 

O ditado ‘faça o que digo, não o que faço’ não funciona muito bem em casa! O que funciona é o oposto: ‘faça o que faço, não o que digo’. Quer você viva sozinho, ou com outra pessoa, ou várias, a maneira mais eficaz de tornar o lar um ambiente pacífico é tornar-se um exemplo de paz.

 

O clima emocional no qual você vive começa em você – como o meu começa em mim. Se você está agitado, nervoso, frenético e frustrado, é absurdo esperar que as outras pessoas em sua casa sejam indiferentes. Em vez disso, é provável que elas pisem em ovos para não desagradá-lo. Qualquer negatividade que você criar afetará em algum nível os outros em sua casa (sem mencionar você mesmo). Isso não quer dizer que seja sua culpa se sua casa não tem paz, mas que, na maior parte das circunstâncias, se você esperar que os outros deem o exemplo que gostaria, vai ter que esperar muito!

 

Quando você é calmo, paciente, amoroso, no entanto, você obtém o melhor de tudo o que o cerca. Ao ser um exemplo de paz, você abre a porta para os outros serem pacientes, compassivos e graciosos. Em vez de estar aborrecido com os altos e baixos da vida diária, você cria um ambiente em que não há problemas em seguir o fluxo. E quanto mais calmo você for, mais fácil fica fazer os necessários ajustes às complicações e desafios da vida diária. Ao se manter calmo, você elimina os desvios mentais que interferem com sua sabedoria e julgamento, tornando mais fácil enxergar soluções em vez de problemas.

 

O primeiro passo para se acalmar é perceber essa meta como prioridade em sua existência. Ao invés de esperar que os outros tomem a dianteira ou culpá-los pelo caos em sua casa, tome a decisão de tornar a paz sua prioridade – decida que é essa meta que você deseja alcançar. (...) Creio que descobrirá que quando a paz é a meta principal, todo o resto encontra o seu lugar e se torna muito mais fácil de lidar. Você estará acenando com um patamar de vida mais pacífico, o que, por sua vez, reduz o caos de sua vida ainda mais. Tornar-se mais calmo talvez não aconteça de uma hora para outra, mas é certamente um objetivo que se deve tentar alcançar. Comece agora, você pode fazer as coisas que o levem nessa direção. [4] 

 

Silvia Helena Visnadi Pessenda

 

 

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO

A palavra ‘família’ apresenta o conceito de ‘conjunto de pessoas, em geral ligadas por laços de parentesco, que vivem sob o mesmo teto, particularmente o pai, a mãe e os filhos’. E, ainda, ‘grupo de pessoas unidas por convicções, interesses ou origem comuns’, ambas definições do Michaelis – Moderno Dicionário da Língua Portuguesa.
Dentro da Doutrina Espírita, além da ideia de família biológica – com quem nos relacionaremos enquanto espíritos encarnados – há o conceito de família espiritual, com quem mantemos laços de afinidade eternos e podemos ou não encontrar após o desencarne.
Sendo biológico ou espiritual, o núcleo familiar com o qual nos relacionamos tem papel fundamental em um dos principais objetivos da existência do espírito: a sua evolução, o seu progresso moral dentro daquilo que chamamos eternidade.
De acordo com O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, é justamente para alcançar este objetivo que nos foi dada a possibilidade da reencarnação. E, antes de cada reencarne, além do projeto de vida que cada espírito se propõe desenvolver, é selecionado um núcleo familiar para o espírito fazer aprendizado.
O espírito Leocádio José Correia, um dos orientadores da SER Espírita, por meio do médium Maury Rodrigues da Cruz, ressalta exatamente a ideia de que no ambiente familiar poderemos nos deparar com os maiores obstáculos e aprendizados. “É no templo doméstico que aprenderemos a viver com o grande mundo social.” Não é à toa que, em toda a humanidade, é comum encontrar famílias nas quais predomina a harmonia, e outras nas quais alguns integrantes enfrentam dificuldades de relacionamento.
Seguindo este raciocínio, perguntas como ‘para que serve a família biológica?’, ‘qual a importância da convivência familiar para a evolução do espírito?’, ‘como podem ser explicadas as diferenças e as afinidades entre pais e filhos’, ‘como é definida a composição dos núcleos familiares’ etc. passam a fazer parte das reflexões do homem.

 

FUNÇÃO DA FAMÍLIA
Para a terapeuta relacional sistêmica e cognitiva comportamental, Mara Cristina Moro Daldin, espírita há 38 anos, com estas reflexões torna-se possível fazer ‘um novo olhar’ sobre a família biológica e analisar a sua verdadeira função. “As funções da família são determinantes na manutenção da civilidade. É a família consanguínea que dá ao homem a oportunidade de exercitar o aprendizado do amor ao próximo como a si mesmo, lei principal que regula as relações espirituais superiores”, opina. Segundo ela, é fundamental compreender a importância da família biológica, mas sempre se lembrando da família espiritual, já que ambas exercem grande papel no progresso evolutivo da humanidade. “Qualquer pessoa que convive conosco faz parte de nossa família biológica. Temos uma família de sangue, uma no trabalho, na escola, no centro religioso. Temos um pai, uma mãe e somos todos irmãos. Por isso, podemos trocar sentimentos uns com os outros”. Ela explica ainda que no polissistema espiritual todos são parentes. “Porque estamos todos ligados ao único Pai, que é Deus”, comenta.

Para a pedagoga Maria Sueli Knopak, espírita desde 1970 e coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC), uma das principais funções da família é a oportunidade de fazer exercício do amor. “Sabe-se que uma das maiores leis do Cristianismo é ‘ame o próximo como a ti mesmo’. Sendo assim, ainda estamos engatinhando para essa conquista maior, que por certo trará maior felicidade e plenitude na compreensão da vida. Ainda temos dificuldade de ver no outro a extensão do nosso ser, de sentir no outro a presença de Deus. É, portanto, na família que aprendemos a amar”, ressalta.
Outra função da família biológica destacada por Maria Sueli é a prática do perdão, atitude tão essencial para se alcançar o respeito, a caridade e a igualdade. “Partindo da hipótese que cada um dá apenas aquilo que tem construído ao longo da sua jornada evolutiva, não se pode exigir unanimidade. É necessário alongar o olhar, pensar criticamente sobre aquele ser que não está dando conta da sua tarefa, e olhar para dentro de nós mesmos numa análise efetiva, percebendo nossas fraquezas, nossos defeitos que ainda não conseguimos transpor”.
A terapeuta Mara Cristina também percebe a convivência entre familiares como uma excelente chance de se aprender a respeitar e amar o próximo, com humildade e sem distinções. “A família é um laboratório de experiências, onde a felicidade e a dor se alternam, possibilitando decepções, frustrações, crescimento e aprendizados. É no ambiente familiar que aprendemos sobre o respeito, por meio dos nossos pais, principalmente pelo maior modo de aprendizado: o exemplo”.

 

RELAÇÕES CONFLITUOSAS
Em toda a humanidade é comum encontrar grupos familiares onde predomina a harmonia ou haja situações conflitantes com frequência. De acordo com a Doutrina Espírita, essa instabilidade de relações é explicada pela individualidade de cada espírito. Ou seja,os espíritos são diferentes em relação àquilo que já superaram e aprenderam – cada um à sua maneira e ao seu tempo.
Na opinião de Maria Sueli é exatamente com estas diferenças, nesta diversidade, que acontece o progresso moral do espírito. “Encarnamos na frequência a qual pertencemos; penso que estamos exatamente no lugar que deveríamos estar. Se a situação familiar é difícil, é exatamente nestes desafios que precisamos fazer a superação”. E acrescenta: “Se a família é culturalmente hiposuficiente, ou se vive na miséria, o espírito precisa de mais esforço para transformar a sua realidade. Mas talvez tenha vindo para exercitar a humildade por ser excessivamente orgulhoso”, opina.
Para a terapeuta Mara Cristina, em qualquer situação de desentendimento por desigualdades ou pontos de vista diferentes, é necessário ter equilíbrio e respeito ao próximo – esforçando-se para aceitar a opinião do outro e fazer autorreflexão sobre nosso comportamento e nossas atitudes.

 

COMPOSIÇÃO FAMILIAR
Mas como entender a composição de uma família material? Segundo conceitos trazidos pelo Espiritismo, essa ‘seleção’ está proporcionalmente relacionada ao grau evolutivo do espírito e pode se basear no projeto de vida definido por ele. Projeto este que contém situações e oportunidades de aprendizado sobre
aquilo que o espírito ainda não alcançou. “Faz-se necessário viver com qualidade, desfrutar da melhor maneira possível todos os momentos com os familiares, sejam eles bons ou ruins, para que numa próxima encarnação possamos ampliar nossas relações, aprendendo a conhecer, aprendendo a conviver com o diferente, aprendendo a amar mais, aprendendo a ser”, relembra a professora Maria Sueli.
Para ela, não seria tão proveitoso se as encarnações acontecessem na mesma família mais de uma vez, por exemplo. “Seria improdutivo para o aprendizado, pois estaríamos revendo situações, pensamentos, organizações muito semelhantes e não estaríamos difundindo o sentimento do amor, não estaríamos conhecendo e ampliando novas culturas familiares”, defende.
Sobre a importância do esquecimento pelo espírito de experiências anteriores em cada encarnação, Maria Sueli lembra que o conhecimento adquirido e acumulado não se perde, mas deve ficar ‘adormecido’ para ser utilizado e relembrado apenas quando necessário. “Nada se perde, nosso conhecimento, nossas experiências acabam se revelando mesmo que de forma tênue nas reminiscências da vida. Mas acredita-se ser impossível no nosso estágio evolutivo aprender, conviver, perdoar e amar alguém que conhecêssemos na íntegra em sua trajetória de vida. Da mesma forma, seria difícil sermos aceitos e amados desde a tenra infância com um currículo aberto demonstrando toda nossa vida pregressa”.
Opinião compartilhada pela terapeuta Mara Cristina, que reforça uma das funções da reencarnação: aperfeiçoar o que falta ao espírito rumo à sua evolução. “O esquecimento possibilita que a cada reencarnação possamos nos construir diferentes, estruturar um novo caminho em busca da evolução. Com isto, podemos iniciar uma vida pautada em novas crenças e valores, otimizando pensamentos, sentimentos e ações. O homem vive e revive diariamente sua convicção de crescimento e amadurecimento. E, por meio do seu livre-arbítrio, realiza suas mudanças”. Para exemplificar seu pensamento, a terapeuta cita uma das frases de Allan Kardec: “Nascer, crescer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei.

 

INIMIGOS EM FAMÍLIA - COMO O ESPIRITISMO EXPLICA A EXISTÊNCIA DE INIMIGOS DENTRO DA FAMÍLIA

Como a Doutrina Espírita explica a existência de desafetos dentro da própria família? Quase todas as famílias têm seus casos de desentendimento entre alguns dos seus membros, muitas vezes verdadeira aversão sem nenhuma explicação na existência presente.

“Por que certos desafetos reencarnam como nossos familiares? Mesmo se o perdão for obtido em uma das partes eles continuarão reencarnando próximos um ao outro em outras vidas?”- Kirae Scarffon

É bom nós sabermos – e quem fez essa pergunta já sabe disso – que é comum que antigos desafetos reencarnem próximos um do outro, principalmente no meio familiar. Numa mesma família geralmente há o encontro de antigos desafetos. Por quê?

Imagine que você se mude para o outro lado do mundo, que você nunca mais tenha contato com ninguém do Brasil, com ninguém que você conheceu aqui. Daqui a uns 40 anos, quando eventualmente você se lembrar de alguém que você conheceu aqui, de quem você vai se lembrar?

Você vai lembrar das pessoas que você ama e das pessoas que você odeia. Talvez você não ame ninguém, ou você não odeie ninguém. Mas você certamente formou vínculos de afeto e de desafeto. Muitas pessoas que nós conhecemos nessa existência não irão representar grande coisa para nós no futuro. São coadjuvantes em nossa vida. Mas há os protagonistas em nossa vida, que são aquelas pessoas por quem nós nutrimos sentimentos de amor e ódio.

São com essas pessoas que nós temos vínculos. É a elas que nós estamos ligados. É importante considerarmos que se nós sentimos ódio de alguém é porque muito provavelmente antes de experimentarmos esse sentimento de ódio nós sentimos por esse alguém algo muito próximo muito semelhante ao amor. Ninguém sente ódio de alguém se nunca gostou desse alguém antes. As relações de ódio quase sempre surgem a partir da traição, do engano, da inveja, da disputa desenfreada – mas antes de se manifestar a traição, o engano, a inveja, a disputa desenfreada, havia amor – não o amor verdadeiro porque nós ainda não sabemos amar de verdade, mas algo muito próximo ao amor.

Se uma pessoa que eu não conheço, ou um conhecido qualquer – se essa pessoa me trai, é claro que eu não vou gostar, mas também não vou morrer de ódio dessa pessoa.

Mas se alguém que eu amo – um irmão, um filho, o cônjuge – se um deles me trair, o amor que eu sinto poderia se transformar em ódio: eu tenho um vínculo muito forte com essa pessoa e esse vínculo permanece – ele apenas deixa de ser positivo e se torna negativo.

Os nossos grandes desafetos, então, são espíritos com quem nós já convivemos no passado, em outras existências, e são espíritos de quem nós já gostamos, fomos grandes amigos, talvez sócios, ou irmãos, ou amantes – já tivemos laços de amor no passado.

Os espíritos se atraem por afinidade. A reencarnação acontece normalmente por afinidade. É um equívoco supor que todos nós passamos por um planejamento antes de reencarnar. Isso é correto se considerarmos que a Lei de Deus (o grande conjunto de Leis que nos regem) seja um planejamento – ou que comportem um planejamento. Mas não há planejamento individual para cada espírito que reencarna.

Nós nos aproximamos, então, por afinidade. Nós temos vínculos aqui, temos laços de afeto e desafeto com algumas pessoas, nós mantemos esses laços depois de desencarnados, e esses laços permanecem ainda quando reencarnamos. São esses vínculos que nos unem, que aproximam as pessoas em pequenos e grandes grupos.

– Qual é a razão, na Lei de Deus, para que os desafetos se encontrem? Não seria melhor se nós nunca mais encontrássemos os nossos desafetos?

Não. Se nós não os encontrássemos novamente, nós não curaríamos as feridas produzidas por esses laços de ódio. O ódio é uma doença do espírito. Enquanto nós sentimos ódio, enquanto nós tivermos ódio dentro de nós, mesmo que bem controlado, mesmo que nós nem percebamos que sentimos ódio – nós não nos curamos. E a única maneira de curar essa doença chamada ódio – ódio e seus derivados: mágoa, rancor, ressentimento – o meio de nós curarmos essa doença é nos rearmonizando com nós mesmos e com os nossos desafetos.

Em relação ao perdão: eu posso perdoar, posso me elevar espiritualmente e superar esses laços negativos. Perdoar é desligar-se, deixar para trás. Perdoar alguém de quem eu tive ódio é romper com esses laços de ódio, eu já não estou ligado a essa pessoa por laços de ódio.

Poderíamos pensar, então, que basta perdoar para nos vermos livres dos nossos desafetos.

É mais ou menos. Quando eu perdoo eu me livro da doença, eu estou curado do ódio. Mas a Lei é perfeita. A Lei de Deus é perfeita. Nada escapa da Lei. Temos que considerar que nós contribuímos para a formação desses laços de ódio, nós contribuímos para que essa desarmonia acontecesse. Se examinarmos as nossas existências anteriores veremos que nós não somos vítimas. Podemos ter sido vítimas numa determinada existência, mas fomos algozes em outra existência anterior – às vezes espíritos se perseguem durante milênios, alternando as posições de perseguido e perseguidor. Isso só termina com o perdão e a rearmonização.

Referindo-se a esses laços de desafeto, a essas relações de ódio, Jesus nos ensinou no sermão da montanha:

“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.” Mateus 5:25-26

Temos que pagar até o último centavo. O que isso quer dizer?

Quer dizer que nós não nos elevaremos de verdade enquanto estivermos em débito com as Leis divinas.

Jesus disse para entrarmos em acordo com o nosso adversário, para nos conciliarmos, ou nos reconciliarmos com o nosso adversário – o adversário é esse desafeto que reencarnou como nosso familiar. Temos a oportunidade de nos reconciliarmos agora. Isso não quer dizer que temos que morrer de amores por esse familiar nosso. Se nós construímos grandes diferenças um com o outro, a ponto de mal nos suportarmos, dificilmente vamos amar esse desafeto, nesta reencarnação, como nós amamos outras pessoas. Mas é preciso começar a rearmonização. É preciso tolerar; compreender; ajudar, se for o caso; e querer o bem para essa pessoa, orar por essa pessoa – isso é o mínimo que podemos fazer.

O perdão liberta, é verdade. Mas não nos isenta de trabalharmos pela rearmonização, de trabalharmos pela harmonia do universo.

A Lei de Deus é pura harmonia. Deus é amor, é alegria, é prazer – para vivermos o reino de Deus, que é o nosso próximo estágio evolutivo, temos que estar em plena harmonia com as Leis de Deus.

Autor: Morel Felipe Wilkon

 

 

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